Não julgamos se uma notícia é verdadeira ou falsa. Classificamos enquadramento: quais fatos um texto escolhe destacar, quem ele ouve e que vocabulário usa. Esta página explica todo o processo — e onde ele falha.
Cada artigo é classificado individualmente por um modelo de linguagem em três classes — esquerda, centro e direita — e o resultado é sempre exibido ao lado do link para o texto original.
As três classes
Enfatiza desigualdade, direitos sociais e o papel do Estado como protetor. Ouve preferencialmente movimentos sociais, sindicatos e pesquisadores críticos do mercado.
Relata o fato com vocabulário descritivo, apresenta mais de um lado e evita adjetivação valorativa. Predominam dados oficiais e explicação de contexto.
Enfatiza responsabilidade fiscal, liberdade econômica, segurança e limites ao Estado. Ouve preferencialmente mercado, empresariado e analistas liberais ou conservadores.
O processo, passo a passo
Coleta contínua dos feeds
Monitoramos os feeds de veículos brasileiros cadastrados. Cada novo artigo entra no sistema com título, resumo, data de publicação e link para a fonte original — nunca republicamos o texto integral.
Agrupamento em eventos
Artigos que tratam do mesmo acontecimento são agrupados em um Evento. O agrupamento considera proximidade temporal e sobreposição de entidades e temas — pessoas, órgãos, números e lugares citados.
Resumo neutro do fato
Antes de qualquer classificação, geramos um resumo do que é factualmente comum a todas as versões: o que aconteceu, quando, quem está envolvido e qual o próximo passo processual.
Classificação do enquadramento
Um modelo de linguagem analisa cada artigo isoladamente e o classifica em esquerda, centro ou direita. O modelo avalia sinais de enquadramento: seleção de fatos, escolha das fontes ouvidas, vocabulário valorativo, o que o texto omite e onde coloca a responsabilidade.
Micro-resumo da perspectiva
Para cada artigo produzimos uma frase que descreve como aquele veículo enquadrou o fato. É esse micro-resumo que aparece no card, junto do título original e do link.
Publicação e revisão
O evento é publicado com as três colunas, o índice de equilíbrio e a distribuição das fontes. Classificações contestadas por leitores entram numa fila de revisão humana.
Veículo ≠ artigo
Cada veículo tem um viés padrão, registrado a partir de sua linha editorial histórica. Mas a classificação exibida em cada card é sempre a do artigo específico — um jornal de direita pode publicar uma reportagem de centro, e vice-versa.
A diferença entre os dois é o que chamamos de divergência, publicada na página de Fontes. Divergência alta não é erro: mostra um veículo cuja cobertura varia em relação à própria linha editorial.
Cada evento recebe um índice de 0 a 100 que mede quão distribuída está a cobertura entre as três classes. Ele descreve a diversidade das fontes — não a qualidade delas.
Limites que reconhecemos
Três classes são uma simplificação
O debate político não caberia em três caixas. Usamos essa escala porque ela é legível de imediato, mas ela achata nuances — liberal no econômico e conservador nos costumes, por exemplo.
Modelos de linguagem têm viés próprio
O classificador foi treinado em texto produzido por pessoas e carrega tendências desse material. Por isso publicamos a classificação sempre ao lado do link original: você pode conferir.
Ausência também é enquadramento
Quando um veículo simplesmente não cobre um evento, isso não aparece como viés — aparece como silêncio. O índice de equilíbrio mede quem publicou, não quem escolheu não publicar.
Classificamos texto, não intenção
Analisamos o que está escrito no artigo. Não inferimos motivação de repórteres ou editores, nem avaliamos se os fatos relatados são verdadeiros — isso é trabalho de checagem, não nosso.
Discorda de uma classificação?
Toda classificação pode ser contestada. Envie o link do artigo e sua justificativa — revisamos manualmente e publicamos a correção quando cabe.